Blade Runner: 35 anos e duas visões de futuro


Blade Runner – O Caçador de Androides, filme de ficção científica norte-americano, do gênero Noir clássico, dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford, foi produzido em 1982. Retratava uma decadente e futurista cidade de Los Angeles em novembro de 2019, sombria e decaída com a poluição e o consumismo exacerbado, que eram preconizados como sintomas do colapso moral e ecológico da civilização humana.


Trinta e cinco anos passados, um novo Blade Runner é lançado para nos fazer refletir e comparar duas inquietantes visões cinematográficas do futuro da sociedade no começo do 3º milênio.


Blade Runner 2049, ficção científica dirigida por Denis Villeneuve e escrita por Hampton Fancher e Michael Green. É estrelada por Ryan Gosling (La La Land) e Harrison Ford (que volta a interpretar Rick Deckard, protagonista do primeiro filme). Adota o gênero Neo-noir, pois atualiza temas, enredo, personagens e o mise-en-scène do Blade Runner, de 1982, recorrendo a novas técnicas cinematográficas e avanços sociais em termos de censura e representação, mas sem abandonar a alienação, o pessimismo e a ambivalência moral contidos no filme Noir clássico do qual é a sua sequência.


Refletindo sobre as transformações sociais e climáticas entre as épocas dessas duas produções (1982 – 2017), minha primeira sensação é de alívio. Afinal, aquela expectativa tão enfumaçada e sombria da Los Angeles de 2019, não deve se tornar real daqui a apenas dois anos. À distância, não me parece que o clima e o meio ambiente nas grandes cidades da costa oeste dos Estados Unidos estejam tão ameaçados pela poluição e degradação, como retratado na ficção filmada em 1982.


Mas esse alívio é muito relativo e precário, pois devo reconhecer que o diretor Ridley Scott chegou a ser visionário, na medida em que naquele seu imaginário melancólico e deprimente, antecipa a possibilidade de animais e pessoas serem clonados e replicados; bem como preconiza sérias ameaças de discriminação e perseguição a povos de várias culturas, etnias, credos e costumes, o que, infelizmente, já voltou a acontecer com populações inteiras, levadas a abandonar suas casas devido a guerras e perseguições na pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.


E convenhamos que meu sentimento de alívio, também infelizmente, não pode ser estendido para a visão de daqui a 32 anos, época em que se desenrola Blade Runner 2049, a ficção dirigida por Denis Villeneuve.


Nessa nova película, os replicantes – androides fabricados graças ao desenvolvimento da bioengenharia – foram integrados à sociedade para possibilitar a continuação da sobrevivência da espécie humana, sendo responsáveis por fazer trabalho pesado e em ambientes hostis. K (Ryan Gosling), um novo modelo criado para obedecer ordens, trabalha como "blade runner" para o Departamento de Polícia de Los Angeles, caçando e "aposentando" antigos modelos que ainda estão à solta. Sua vida pessoal resume-se a conversar com sua namorada virtual, Joi (a encantadora Ana Célia de Armas, de Madrigal e Cães de Guerra, 2016), fabricada pela Wallace Corporation.


Fico a pensar como será a vida em Los Angeles e em outras grandes cidades em 2049? Lembram-se do que esperávamos de 2019 em 1982, quando foi feito o primeiro filme? Qual futuro seria mais fácil de adivinhar, aquele com que nos deparávamos no começo dos anos 1980, ou esse, que se apresenta à nossa frente agora, na reta final da 2ª década do 3º milênio?


Cada um daqueles que já tinham nascido em 1982 deve ter uma porção de lembranças e histórias para contar das mudanças ocorridas em suas vidas nesses últimos 35 anos. Como foram suas interações com a revolução tecnológica havida nesse período, as suas assimilações de novos hábitos, costumes, comportamentos e tendências? De que forma e com que facilidade vem conseguindo acompanhar a gigantesca onda de novos conhecimentos e descobertas trazidas pela informática, mídias sociais e toda sorte de novidades que não param de surgir por todo lado e todo tempo?


E o que pensar dos próximos 30 anos? Como serão as coisas até lá? Devemos ter a mesma visão de futuro mostrada por Blade Runner 2049?


Não quero e nem devo influenciar meus leitores, pois é fundamental que pensemos com muita liberdade e espontaneidade a respeito de como conduzir as nossas vidas e o que fazer com ela. Mas, não nos é permitido ser irresponsáveis pelas atitudes, ações e formas de conduzir nossos relacionamentos com as pessoas que estão à nossa volta, sejam familiares, amigos, inimigos, concorrentes, sócios ou parceiros, consumidores ou fornecedores, assessorados, alunos, professores, empregadores ou empregados.


Igualmente devemos pensar em nossos compromissos com a natureza e o meio ambiente, para que o mundo não chegue a ficar com aquela atmosfera enfumaçada e asfixiante de ambas as versões de Blade Runner.


Assim, é urgente que saibamos aproveitar as facilidades proporcionadas pela tecnologia e que adotemos a “inclusão digital” como missão em todos os nossos negócios e empresas, de modo a habilitar o maior número de pessoas, independentemente das idades e necessidades especiais, a interagirem e a usufruírem efetivamente dos benefícios da inovação em todos os artefatos eletrônicos que são diariamente lançados. Para mim, a missão de incluir socialmente e democratizar a tecnologia digital é a opção que poderá ser mais eficiente para evitar que em 2049, ou em menos tempo, nos sintamos perseguidos ou “aposentados” como os androides ferozmente caçados por blade runners.


E, por último, mas não menos importante, devemos reconhecer que os conflitos fazem parte das relações humanas, por isso temos que aprender a conviver com eles, sem ficar estagnados quando eles aparecem. E se não desejamos que nossas vidas acabem seguindo no rumo daquele futuro aflitivo e tumultuado preconizado nos dois filmes Blade Runner, adotemos a missão de servir à sociedade pela disseminação dos meios alternativos de resolução de conflitos em um mundo transformado pela tecnologia digital. Pois, a partir da crença de que nada será como antes, quero estar entre os que perseguem novos caminhos para a resolução de conflitos de interesses e controvérsias, facilitando a comunicação e o diálogo em diferentes contextos.


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Nenhum tag.
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
(11) 5533-7259  /  99442-6360
Redes Sociais