A Cultura e a Paz


Duas palavras que só nos transmitem bons sentimentos, “cultura” e “paz”.


Cultura, na acepção da filosofia, é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento biológico, uma vez que originárias da aquisição consciente de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como melhores ou superiores, transmitidos aos contemporâneos e vindouros como respostas para melhor satisfazer às necessidades e aos desejos humanos por informação, conhecimentos teóricos e práticos.


Nesse sentido, “o homem não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam, tornando-se, por isso, um fator de humanização: o homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A cultura é um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à vida dos seres humanos”. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura


Paz, aqui entendida como “um estado de equilíbrio e entendimento consigo mesmo e com os outros”. Que se torna natural quando o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância e acolhimento, ou se os conflitos passam a ser resolvidos através do diálogo, se nossos direitos são respeitados e nossas vozes são ouvidas, de modo que todos nos sintamos em nosso ponto mais alto de serenidade e libertados das tensões de quaisquer índoles. https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz


Com a união desses dois vocábulos, evoluímos para a “cultura de paz”, que consiste na proposta para que as relações humanas sejam permeadas pelo diálogo, pela tolerância, pela consciência da diversidade dos seres humanos e de suas culturas, pelo atendimento aos interesses dos mais desprovidos.


A ONU definiu cultura de paz na sua “Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz”, em 13 de setembro de 1999, na qual se destacam os seguintes princípios: “Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados: no respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação”; e, mais adiante, inserindo o indispensável “compromisso com a solução pacífica dos conflitos”.


Ariana Bazzano de Oliveira, socióloga, graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina ( soc_ari@yahoo.com.br ), em seu trabalho de pesquisa “Direitos Humanos e Cultura da Paz. Uma Política Social de Prevenção à Violência”, salienta, com muita propriedade, que “com base nesta definição da ONU, a ideia de paz não deve ser associada à passividade ou à inércia, mas a esforços dinâmicos, pela via democrática, para que as tensões e os conflitos sejam superados sem o uso de meios violentos. Dessa forma, a cultura de paz não é uma cultura na qual não existam conflitos, mas sim que estes são resolvidos de forma pacífica”. (http://www.uel.br/revistas/ssrevista/c-v8n2_ariana.htm)


E não foi com outro intuito que, aqui no Brasil, o Conselho Nacional de Justiça, em parceria com os tribunais participantes do movimento pela conciliação, passou a desenvolver campanhas para disseminar em todo o país a cultura da paz e do diálogo, visando desestimular condutas que tendem a gerar conflitos e proporcionar às partes uma experiência exitosa de conciliação.


A divulgação dos benefícios advindos da adoção dos meios alternativos de resolução de conflitos passou a ser uma missão para um número cada vez maior de adeptos, não apenas entre aqueles que possuem formação jurídica, mas para pessoas de todas as áreas de conhecimento e ramos de atuação, que tenham uma cultura de paz como inspiração e anseio.


E nesse particular, são as crianças as mais favorecidas pelo diálogo e desarmamento dos espíritos em seu ambiente familiar e no relacionamento entre os pais. É muito visível, por exemplo, o sentimento de tristeza e a insegurança dos menores quando percebem que seus pais estão brigando. Quando essas desavenças acabam levando os casais a se separarem, será ainda mais difícil encontrar-se uma saída que não cause reflexos traumáticos em suas cabecinhas inocentes. Nesses casos, poderá ser um grave equívoco condicionar as definições sobre a guarda dos filhos menores e do regime de convivência para o que for decidido ao final de um longo e burocrático processo judicial.


Quanto tempo poderá ficar uma criança sem conviver com um de seus genitores? É justo privar pais e filhos do contato entre eles até que saia uma sentença judicial? Por mais magoado que esteja um cônjuge com o outro, é razoável colocar esse rancor acima da necessidade de afeto que os filhos sentem nesses momentos?


Por isso nos conflitos conjugais e outras crises familiares, é imperioso que se coloque em prática a cultura da paz, buscando-se em primeiro lugar, pelas técnicas de conciliação ou mediação, os meios que irão restabelecer de forma mais rápida e efetiva o entendimento com vistas ao bem-estar e a segurança dos filhos menores.


A solução consensual em favor dos interesses mais desprovidos, quase sempre uma renúncia aparentemente dolorida e impensável para um dos genitores, poderá ser facilitada pela habilidade de um mediador, neutro e imparcial, tornando-se uma solução mais racional e permanente, além de constituir-se indubitavelmente na maior prova de amor e dignidade para o ser humano.

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