Alguém que está no céu




30 de novembro de 1960, uma quarta-feira, que amanheceu diferente para Luiz Fernando, menino de 8 anos, que morava na Rua Oscar Freire, 1085.


Seria o último dia de aula antes das férias escolares. Ele estava concluindo o 2º ano do curso primário. E, ao contrário dos outros dias, naquela manhã ele não seria levado para a escola por sua mãe, Dona Célia, nem por seu pai, que as pessoas da vizinhança chamavam de “seu Dante”.


A empregada da família, chamada Conceição, o levaria a pé até o Externato Nossa Senhora de Lourdes, uma escola pequena que ficava na Rua Bela Cintra, entre as Ruas Estados Unidos e Oscar Freire, do lado direito de quem sobe para a Avenida Paulista.


Um movimento estranho estava acontecendo na Rua Oscar Freire, entre as ruas Consolação e Dr. Melo Alves. Havia alguns carros escuros estacionados e várias pessoas grandes entravam e saiam da casa número 1.105, onde moravam os avós do Luiz Fernando, Carlos e Maria. Era uma casa que ficava a poucos metros do portão de onde o menino Luiz Fernando saiu com a Conceição para ir até a escola.


Mas, como naquele ano o vovô Carlos tinha ficado muito doente e frequentemente recebia muitas visitas de médicos em sua casa, por isso a explicação dada ao menino foi a de naquela manhã os médicos tinham sido chamados novamente. Então era por esse motivo que a mamãe e o papai também estavam com ele, assim como os tios Armando, Alexandre e Renato, além de outros parentes e vizinhos.


Quando terminaram as aulas, ao meio dia, as coisas continuaram diferentes. Pois o Luiz Fernando foi levado para a casa dos amiguinhos Rubens e Silvia, filhos da Tia Ruth e do Dr. Rui.

Era uma casa muito legal, com quintal grande, que ficava na Rua Natingui, no bairro de Pinheiros. Passar a tarde brincando com aqueles amiguinhos normalmente seria um motivo de muita alegria para o Luiz Fernando.


Mas aí, numa certa hora, alguém viria contar que o vovô Carlos “tinha ido para o céu”, para descansar e não sofrer mais com as dores daquela doença que o estava judiando tanto. E o menino Luiz Fernando até se sentiu aliviado com o que pode entender naquele instante.


Deitou-se sobre o gramado da frente da casa da Tia Ruth, ficou olhando fixamente para o céu, que naquela tarde parecia mais azul do que nos outros dias, sem nenhuma nuvenzinha para atrapalhar. E começou a explicar aos amiguinhos que seu avô era muito bonzinho, muito legal mesmo e que se havia alguém nesse mundo que, com certeza merecia estar lá em cima, era ele, sem dúvida nenhuma!

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